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domingo, 16 de maio de 2010

URGENTE! Ajude o Haiti & Angra dos Reis

Inicio uma série de postagens sobre a tragédia do Haiti, com ênfase em formas de ajudar. Encorajo você a fazer o mesmo, podendo copiar livremente (sempre pôde) e reproduzir em seu blog os posts daqui. Começo com uma informação importante: a abertura de uma conta onde você pode depositar sua ajuda aos haitianos.

O Banco do Brasil e a Embaixada do Haiti no Brasil abriram uma conta corrente para receber doações para as vítimas do terremoto nas proximidades de Porto Príncipe, no Haiti. O dinheiro recebido na conta será administrado diretamente pela diplomacia do país da América Central. Depósitos de qualquer valor podem ser feitos em nome de SOS Haiti, agência 1606-3, conta corrente 91.000-7. Os depósitos podem ser feitos de qualquer parte do Brasil nas agências e caixas eletrônicos do BB.
SAIBA MAIS CLICANDO NO RESTO DESTE ARTIGO

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Terrível Dia do Senhor


Por Charles Spurgeon

Creio que vejo esse terrível dia. O sino do tempo tangeu o último dia. Agora vem o funeral das almas condenadas. O seu corpo acaba de levantar da tumba, e desatas a mortalha encerrada, e olhas para cima. O que é o que vejo? Oh!, o que é o que ouço? Ouço uma explosão tremenda e terrível, que sacode os pilares do céu, e faz com que o firmamento se cambaleie de espanto; a trombeta, a trombeta, a trombeta do arcanjo sacode os últimos limites da criação. Olhas e ficas pasmado. Subitamente, escuta-se uma voz, e uns dão alaridos, e outros cantam hinos, Ele vem, Ele vem, Ele vem; todo olho o verá. Ali está; o trono descansa sobre uma nuvem, branca como o alabastro. Ali está sentado. “É Ele, o Homem que morreu no Calvário (vejo as Suas mãos trespassadas), mas, ah, quão modificado está! Não tem uma coroa de espinhos. Esteve ante o tribunal do Pilatos, mas agora a Terra inteira deve estar ante o Seu tribunal.

Mas escutem! A trombeta soa outra vez: o Juiz abre o livro, há um silêncio no Céu, um solene silêncio: o Universo está quieto. “Junta aos meus escolhidos e aos meus redimidos dos quatro ventos do céu.” Rapidamente são ajuntados. E como o brilho de um relâmpago, a asa de anjo divide à multidão. Aqui estão os justos todos congregados; e, pecador, lá estás tu, à esquerda, deixado de fora, entregue a suportar a sentença ardente da ira eterna. Escuta! As harpas do céu tocam doces melodias; mas não lhe trazem nenhum gozo, enquanto os anjos estão repetindo as boas-vindas do Salvador aos Seus Santos. “Venham, benditos de meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo.” Vocês tiveram esse momento de pausa, e agora o Seu rosto está acumulando nuvens de ira, e o trovão está na Sua frente; olha para você que o tem desprezado, a ti que te ludibriaste da Sua graça, que desprezou a Sua misericórdia, a você que quebrantou o Seu dia de descanso, a você que zombaste da Sua cruz, a você que não aceitou que reinasse sobre ti; e com uma voz mais forte que dez mil trovões, Ele clama: “Apartai-vos de mim, malditos.” E logo... não, não continuarei. Não falarei das chamas inextinguíveis. Não vou falar dos padecimentos do corpo, nem das torturas do espírito. Mas o Inferno é terrível; a condenação é aflitiva. Oh, escapa! Escapa! Escapa, para que, ali onde estás, não tenhas que aprender talvez o que significam os horrores da eternidade, no golfo da eterna perdição! “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para as fazer.”

FONTE: No Caminho de Jesus

trecho do sermão " Uma Palavra aos Inconversos", que em breve estará no Projeto Spurgeon

O naturalista e o missionário: Charles Darwin e Robert Kalley


Artigo extraído da revista Ultimato, nº 261, nov-dez/1999

“Em 1809 nasceram duas crianças especiais no Reino Unido; uma em Shrewsbury, na Inglaterra, e outra em Mount Florida, na Escócia. A primeira chamava-se Charles e a segunda, Robert. Este era 7 meses mais novo que aquele. Charles era filho de uma família muito culta e Robert, de uma família muito rica.

Os dois rapazes talvez nunca tenham se encontrado. Ambos, porém, foram estudar medicina na Escócia no mesmo ano, em 1825, obviamente com a mesma idade (16 anos), Charles na Universidade de Edimburgo e Robert na Universidade de Glasgow. Logo depois de formados, ambos fizeram longas viagens em navio a vela no exercício de suas profissões, Charles, como naturalista, e Robert, como médico de bordo. O primeiro embarcou no Beagle pouco antes de completar 23 anos e deu uma volta ao mundo: atravessou o Atlântico, contornou os dois lados da América do Sul, atravessou o Pacífico, passou pela Oceania, atravessou o Índico, contornou o Sul da África, atravessou outra vez o Atlântico e retornou à Inglaterra. A viagem durou quase 5 anos (dezembro de 1831 a outubro de 1836). Robert embarcou no Upton Castle com 20 anos incompletos e foi até Bombaim, na Índia. Os dois ficaram impressionados com algumas cenas chocantes que viram durante a viagem. Charles ficou chocado com a situação social dos nativos da Austrália e Nova Zelândia, transformados em escravos pelos próprios colonizadores europeus. E Robert, com as aberrações sociais da Índia. Tanto um como o outro se casaram em 1838, com 29 anos; Charles, com Emma, e Robert, com Margareth.

Não obstante tanta coincidência, os dois britânicos eram religiosamente diferentes. Depois de abandonar o curso de medicina (tinha pavor das cirurgias), Charles matriculou-se na Universidade de Cambridge para estudar a Bíblia e tornar-se clérigo (1828). Não tinha, então, a menor dúvida quanto à verdade absoluta e literal de cada verso das Escrituras Sagradas. Já Robert foi se desfazendo da bagagem religiosa recebida no lar (a família desejava muito que ele estudasse teologia e se fizesse pastor) até se tornar ateu. Passou a ter aversão e repugnância às leis do Criador, o que o deixava mais em liberdade para satisfazer todos os desejos que lhe viessem ao coração, sem temer as conseqüências e penalidades.

Aconteceu, porém, que os dois moços experimentaram mudanças religiosas na década de 1830, quando tinham vinte e poucos anos. Charles desistiu da carreira eclesiástica, formou-se em artes e tornou-se agnóstico. Robert renunciou a sua incredulidade e passou a ter profundo respeito por Deus. O que levou Charles a abandonar a fé foram as suas pesquisas científicas. O que levou Robert a abraçar a fé foi o testemunho de uma paciente muito enferma e muito pobre que enfrentava com incrível serenidade o sofrimento e a morte (1835).

A partir dessas diferentes experiências revolucionárias, Charles e Robert tornaram-se notáveis, cada um em sua área. O primeiro tornou-se cientista. O segundo tornou-se médico-missionário. O trabalho de Charles levou muita gente a desacreditar da autoridade das Sagradas Escrituras. O trabalho de Robert levou muita gente a gostar de ler a Bíblia e de praticar suas normas de fé e conduta.

Quando Robert se converteu, Charles estava ainda a bordo do Beagle. Quando Charles publicou, em 1839, o seu primeiro livro — Relatório de pesquisas em história natural e geologia dos países visitados durante a viagem ao redor do mundo no Beagle — Robert foi ordenado pastor presbiteriano [1] em Londres. Ambos estavam, então, com 30 anos.

Depois de sua longa viagem, Charles se dedicou à pesquisa e aos livros, quase todo o tempo em Down, no condado de Kent. Teve cinco filhos. Depois de sua conversão, Robert estudou teologia e se tornou missionário-médico na Ilha da Madeira (1838-46) e no Brasil (1855-76). Casado duas vezes, nunca teve filhos.

Charles morreu em abril de 1882 com a idade de 73 anos. Robert morreu 6 anos depois, em janeiro de 1888, com 79. O primeiro está sepultado na Abadia de Westminster, em Londres, e o segundo, no modesto Dean Cemitery, em Edimburgo.

O nome completo do naturalista é Charles Darwin. O nome completo do missionário-médico é Robert Reid Kalley. O primeiro é mais conhecido por sua teoria da evolução, que causou uma revolução na ciência biológica, mediante a publicação de seu mais importante livro Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural, há 140 anos. O segundo é mais conhecido por ser o primeiro missionário protestante a se radicar no Brasil, dando origem a duas denominações brasileiras: Igreja Evangélica Congregacional do Brasil [2] e Igreja Cristã Evangélica do Brasil.

Segundo o testemunho do Duque de Argyle, Charles Darwin nunca se livrou de certos conflitos íntimos, mesmo com a leitura da Bíblia e as orações da esposa, que era cristã”.

Posts relacionados: - Charles Darwin se converteu? - A propósito dos 200 anos de Robert Kalley

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[1] Kalley, apesar de ser membro da Igreja da Escócia (Presbiteriana), não foi ordenado pastor presbiteriano. Ele foi ordenado por um grupo de pastores de diferentes denominações em Londres a fim de poder exercer plenamente o ministério que já vinha realizando na ilha da Madeira (Portugal). Sua ordenação por parte desses pastores o deixaram sem vínculos denominacionais.

[2] O nome correto da denominação é União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil

FONTE: O naturalista e o missionário: Charles Darwin e Robert Kalley « Anderson Paz

via : Blog do Pastor Alek Sandro

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A crise na Europa e a escatologia


Por Gutierres Sirqueira

Nessa última semana as bolsas de todo o mundo caíram diante dos temores de calotes na Europa. Alguns países da União Europeia como a Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal estão trazendo preocupação pelos altos déficits nas contas públicas. O déficit público acontece quando o valor das receitas de um governo são menores do que o valor de suas despesas. Os caminhos para resolver este problema são os aumentos de impostos, o corte de despesas e a desvalorização da moeda. Todas as soluções são custosas politicamente falando, além da complicação na aplicação destas políticas.

Pois bem. O que isso tem haver com escatologia? Tudo. Aliás, a nova crise na Europa, que é fruto da grande crise de 2008, desmistifica algumas tentativas de especular com a escatologia. Por quê? Diante desta crise algumas perguntas começaram a serem feitas pelos membros da União Europeia: Os países europeus com déficit mais equilibrados, como a Alemanha e Inglaterra, financiarão os demais países da União Europeia? Se cada país tivesse sua própria moeda, e não o Euro, não seria mais fácil os ajustes necessários para a saída da crise? Vale a pena essa grande união de países europeus?

Ora, são ou não perguntas significativas? O jornalista Floyd Norris, do jornal norte-americano The New York Times, pergunta em um artigo: “Muitos alemães ocidentais ficaram pasmos com o custo da unificação com o lado oriental. Se não gostaram de subsidiar seus próprios primos, gostarão de subsidiar gregos e portugueses?” [1]. Já o economista Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, argumenta que se os países europeus tivessem moeda própria poderiam recuperar competitividade com a desvalorização: “Se a Espanha tivesse sua própria moeda, este seria um bom momento para desvalorizá-la, mas ela não tem.”[2]. O modelo de uma unificação econômica sem uma unificação política cobra o seu preço. É bem provável que o revés pela união dos países da Europa cresça com o agravamento da crise.

Olhar uma União Europeia enfraquecida é algo que os escatólogos especulativos não pensaram. Assim como não pensavam no fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Até o final da década de 1980, todos os livros da escatologia especulativa traziam a URSS nas suas páginas. Quando ocorreu a queda do Muro de Berlim houve a necessidade de rescrever esses livros. Numa precisão impressionante, os escatólogos especulativos já viam a Europa como uma só nação, assim pronta para influenciar uma união global futura. As fragilidades de uma união supranacional se mostram graves com os problemas dos déficits em países periféricos da Zona do Euro. Será necessário rescrever novamente os livros de escatologia? É bem provável que sim.

Por que isso acontece? Ora, a escatologia virou brincadeira de mentes criativas.

Se faz uma leitura escatológica a partir dos acontecimentos, e não das Sagradas Escrituras

Os fatos determinam a leitura das Escrituras, e não o contrário. Tal caminho proporciona a eisegese, que é uma verdadeira forçação de barra do texto bíblico. Ou seja, tenta-se colocar uma ideia própria na Bíblia Sagrada, ao invés de construir uma ideia a partir do texto bíblico.

Se faz uma escatologia que tenta adivinhar os meandros do futuro

Quando se tenta achar o papel da China no Apocalipse, por exemplo, nada mais se faz senão um exercício de futurologia. O Apocalipse não foi revelado para uma tentativa de adivinhação do futuro. Apocalipse não é obra de Nostradamus.

A escatologia bíblica é pratica, não especulativa

O que a Bíblia se preocupa em nos ensinar sobre escatologia é que Jesus voltará. Isto é um fato. Jesus vem buscar sua igreja, e esta deve estar vigilante. Estas verdades não bastam? É preciso construir imaginação com o papel das nações ou das instituições políticas. Vigiar é preciso. Especular é desnecessário.

Escatologia distorcida levou uma nação contra Cristo

Em Israel se esperava um messias que viria libertar a nação da opressão imperialista de Roma. Esta era a escatologia dos religiosos da época. Um Cristo forte, libertador, imperador. Mas Cristo veio fraco numa manjedoura, pobre na pequena Belém e sem espírito revolucionário. O Cristo que veio não se adequou à escatologia da época. Então foi morto.

Portanto, pregando que Jesus vem já está bom. O que passa disto é invenção. Criatividade serve para publicitários, mas não teólogos. Especulação serve para filósofos, mas não para teólogos.

Referência Bibliográfica:

[1] NORRIS, Floyd. Países mais fracos testam a zona do euro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 06 de fev. 2010. Economia. B6.

[2] KRUGMAN, Paul. A tragédia espanhola. Blog do Paul Krugman:
A consciência de um liberal. Disponível em:
Acesso em: 06 de fev. 2010.


FONTE: Teologia Pentecostal

Deus expulsa o medo!


C.H.Spurgeon
Banco da Fé
26 de janeiro


“Pois contra Jacob não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Num 23:23 ACF[*] )

Como isto deveria arrancar, desde a raiz, todos os temores néscios e supersticiosos! Ainda que houvesse alguma verdade na feitiçaria e nos agouros, estes não poderiam afectar o povo do Senhor. Aqueles a quem Deus abençoa, não podem os demónios amaldiçoar.

Homens ímpios, como Balaão, podem conspirar astutamente para destruir o Israel de Deus; porém, com todo o seu silêncio e astúcia estão condenados a fracassar. A sua pólvora está húmida; o fio da sua espada está embotado. Reúnem-se; mas como o Senhor não está com eles, juntam-se em vão. Podemos estar tranquilos, e deixar que teçam as suas redes, pois não seremos apanhados nelas. Mesmo que solicitem a ajuda de Belzebu, e se sirvam de todas suas artimanhas, de nada lhes valerá; todos os seus encantamentos sairão falidos e a si mesmos se enganarão. Que bênção esta! Como aquieta o coração! Os “Jacobs” de Deus pelejam com Deus, mas ninguém pelejará com eles e vencerá. Os “Israeis” de Deus têm poder com Deus e prevalecem, mas ninguém terá poder para prevalecer contra eles. Não é necessário temermos o inimigo mortal das nossas almas, nem a nenhum desses secretos inimigos cujas palavras estão cheias de engano, e cujos planos são profundos e insondáveis. Não podem causar dano àqueles que confiam no Deus vivo. Nós desafiamos o Diabo e a todas as suas legiões.



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Tradutor: Carlos António da Rocha
FONTE: No Caminho de Jesus

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Servindo a Deus com Alegria

por George Müller


No meio do povo de Deus, muitos certamente estão com as mentes cheias de planos para o futuro e para as diversas esferas do serviço nas quais, se o Senhor nos conceder mais tempo de vida, nos engajaremos. Pode ser que o bem-estar de nossas famílias, a prosperidade dos negócios, ou a atividade no serviço para o Senhor sejam considerados como as questões que mais deveriam ocupar nossa atenção. Mas, de acordo com minha avaliação, o ponto que mais requer cuidado é este: se temos verdadeira satisfação e alegria interior no Senhor!
Outras coisas podem pressioná-lo; a obra do Senhor pode, inclusive, requerer urgência sobre seu tempo e preocupação. Mas eu repito deliberadamente: é de suprema importância que você busque acima de todas as coisas encontrar verdadeira alegria e satisfação no próprio Deus. Dia após dia, procure fazer disso o assunto mais importante de sua vida. Essa tem sido minha firme e determinada convicção nos últimos 35 anos. Nos primeiros quatro anos após minha conversão, eu não sabia de sua vasta importância, mas agora, depois de muita experiência, recomendo este ponto de maneira especial para ser ponderado por meus irmãos e irmãs em Cristo. A chave para servir na obra de Deus de modo realmente eficaz é – ter alegria em Deus e experimentar verdadeiro relacionamento e comunhão com ele.
Mas de que maneira podemos alcançar essa permanente felicidade de alma? Como aprender a ter prazer em Deus? Como chegaremos a uma plena satisfação de alma em Deus a tal ponto de sermos capazes de abrir mão das coisas deste mundo como vãs e sem valor em comparação com o que temos nele? Eu respondo, essa felicidade pode ser obtida através do estudo das Sagradas Escrituras. Por meio delas, Deus tem se revelado a nós na face de Jesus Cristo.
Nas Escrituras, pelo poder do Espírito Santo, ele se manifesta ao nosso homem interior. Lembre-se, não é o Deus de nossos pensamentos ou de nossas imaginações que precisamos conhecer, mas o Deus da Bíblia, nosso Pai, que deu Jesus, seu Filho bendito, para morrer por nós. É esse Deus que devemos procurar conhecer intimamente, de acordo com a revelação que deu de si mesmo em sua tão preciosa Palavra.
A maneira como estudamos essa Palavra é uma questão da mais profunda importância. A parte mais cedo do dia que nos for disponível deve ser dedicada à meditação nas Escrituras. Devemos alimentar nosso homem interior na Palavra. Devemos lê-la – não para os outros, mas para nós mesmos. Todas as promessas, os encorajamentos, as advertências, as exortações, as repreensões devem ser recebidas diretamente no nosso coração.
De maneira especial, tomemos o cuidado de não negligenciar porção alguma da Bíblia. Ela deveria ser lida do princípio ao fim regularmente. Ler partes favoritas da Bíblia – e deixar outras de lado – é um hábito que deve ser evitado. Porém, mesmo a leitura completa da Bíblia não é suficiente. Precisamos buscar o conhecimento íntimo e experimental daquele que é revelado pelas Escrituras, o bendito Jesus que se entregou para morrer em nosso lugar. Oh, que satisfação verdadeira e duradoura nossa alma encontra nele!
Agir na Luz que Recebemos
Outro ponto precisa ser especialmente observado: a importância de se esforçar sempre para colocar em prática aquilo que aprendemos. Devemos procurar agir de acordo com a luz que já recebemos e, então, certamente mais nos será dado. Se deixarmos de fazer isso, nossa luz se tornará escuridão.
É da mais urgente importância que andemos com coração sincero, honesto e correto diante do Senhor. Se algum mal é praticado ou abrigado e tolerado, o canal de comunicação entre nós e Deus será cortado (temporariamente). É muito importante que nos lembremos disso. Enfermidades e fraquezas farão parte de nossa vida enquanto permanecermos no corpo, mas isso é diferente de voluntariamente permitirmos o mal. Eu preciso ser capaz de olhar para a face do meu Pai Celestial, com coração verdadeiro, honesto e íntegro, e dizer, “Aqui estou, bendito Senhor; faze comigo conforme tu queres”.
Depois, lembremo-nos que somos mordomos de Deus. Nosso tempo, nossa riqueza, nossos talentos, tudo que temos é dele e dele somente. Procuremos nos lembrar disso e aplicá-lo na prática, e como será feliz então nossa vida cristã! É um princípio divino: "Ao que tem [mais] se lhe dará" (veja Mt 13.12; Mc 4.25; Lc 8.18; 19.26). Quanto mais nos empenharmos em aplicar bem aquilo que nos foi confiado, mais nos será concedido. Seremos usados pelo Senhor e nos tornaremos cada vez mais felizes em seu serviço tão abençoado. Temos apenas uma vida – uma breve vida. Busquemos com coração renovado consagrar esta única vida totalmente ao Senhor – com o propósito de viver dia após dia para Deus e para servi-lo com corpo, alma e espírito – que pertencem a ele!
Com o passar dos anos, cuidemos para que nosso poder espiritual não diminua, mas que haja um aumento de energia e vigor espiritual, de forma que nossos últimos dias sejam os melhores. A santa fé que nos foi dada não consiste em falar. Realidade, realidade, realidade é o que queremos! Que toda nossa atividade seja de coração. Sejamos genuínos. As pessoas do mundo devem ser compelidas a dizer de nós: “Se existe de fato um cristão verdadeiro, lá está um”.
Deus Revelado nas Escrituras

Voltando às Escrituras, podemos conhecer nelas, por meio do ensinamento do Espírito Santo, o caráter de Deus. Nossos olhos são abertos sobrenaturalmente para ver como Deus é amoroso! E esse bom, gracioso e amoroso Pai celestial é nosso pai, nossa porção para o tempo presente e para a eternidade. E é à bendita imagem e semelhança do Senhor Jesus, aquele que se entregou por nós, que seremos transformados. Servi-lo deve ser nossa maior alegria e privilégio enquanto permanecermos na Terra.
Quando provações e aflições vierem, quando nos parecer que Deus não é a Pessoa amável, bondosa e graciosa apresentada a nós em sua Palavra, devemos murmurar e nos desesperar? Ah, não! Amado em Cristo, confiemos em nosso Pai celeste. Como crianças pequenas, dependamos inteiramente dele, repousando na doce segurança de seu eterno e imutável amor. Lembremos como ele agiu com os santos do passado, como tratava com eles. Lembremos o que é registrado a respeito de suas histórias, pois agora Deus certamente agirá, como sempre agiu, de acordo com sua Palavra. Esse conhecimento íntimo e experimental de Deus nos tornará verdadeiramente felizes. Nada mais o fará. Se não somos cristãos felizes, há algo errado. A culpa é nossa e somente nossa.
Em Deus nosso Pai e no bendito Senhor Jesus, nossas almas têm um rico, divino, imperecível e eterno tesouro. Tomemos posse, na prática, dessas verdadeiras riquezas. Que os dias que nos restam, na nossa peregrinação terrena, sejam gastos em consagração crescente, devota e intensa de nossas almas a Deus.
George Müller, 1805-1898, foi um gigante da fé; é conhecido pelos orfanatos na Inglaterra que iniciou e que foram mantidos pela oração, sem pedir ofertas a ninguém.


Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 26 nº 5 - Setembro/Outubro 2008

Não venda Jesus

Por William MacDonald, devocional 30 de JANEIRO


“De graça recebestes, de graça dai." (Mateus 10:8).


Fritz Kreisler, um dos melhores violinistas do mundo disse: “Nasci com a música no meu interior, conheci as partituras musicais instintivamente antes de que aprendesse o ABC. Foi um dom da Providência e não algo que adquiri por minha própria conta. Assim, nem mesmo mereço sequer que me agradeçam pela música... A música é muito sagrada para vendê-la. Os preços ultrajantes que as celebridades musicais cobram hoje são verdadeiramente um crime contra a sociedade”.

Estas são palavras que cada um que trabalha na obra cristã deveria tomar muito a peito. O ministério cristão consiste em dar, não em receber. A questão não é: “O que há aqui para mim?”, mas pelo contrário: “Como posso dar a conhecer melhor a mensagem do Senhor Jesus a um maior número?” No serviço de Cristo, é muito melhor que as coisas custem em vez de devam ser pagas.

É verdade que: “O operário é digno de seu salário” (Lc 10:7), e que: “os que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho” (1Co 9:14). Mas isto não justifica que um homem ponha preço ao seu dom ou que cobre honorários excessivos por falar ou cantar em diversas cerimónias. Nada justifica cobrar direitos exorbitantes pela utilização de hinos.

Simão, o mago, queria comprar o poder de dar o Espírito Santo a outros (At 8:19). Não há dúvida que viu isto como um modo de ganhar dinheiro para si mesmo. Do seu nome e pela sua acção se deriva a nossa palavra “simonia”, que significa comprar ou vender privilégios religiosos. Não é exagerado dizer que o mundo religioso de hoje em dia está infestado de simonia.

Se o dinheiro pudesse, de algum jeito, eliminar-se da assim chamada obra cristã, muito disto se deteria imediatamente. Porém, ainda restariam servos fiéis do Senhor que prosseguiriam até esgotar o último pingo da sua força.

Recebemos de graça; devemos dar de graça. Quanto mais dermos, maior será a bênção, e maior a recompensa, boa medida, apertada, remexida e transbordante.



Tradução de Carlos António da Rocha

FONTE
No Caminho de Jesus

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Resenha: Livro Justification and Regeneration (Charles Leiter)

Por André Aloisio

Este livro trata de dois temas centrais no Evangelho: a justificação e a regeneração.

No primeiro capítulo o grande problema humano - o pecado - é apresentado com vários detalhes, e os dois grandes lados desse problema são mostrados: o problema interno, que consiste em um coração mal, e o problema externo, que consiste em uma posição judicial má diante de Deus. Esses dois problemas são a razão de ser das duas doutrinas evangélicas que serão apresentadas no decorrer do livro.

Nos capítulos 2 e 3, a doutrina da justificação é apresentada como a solução para o problema externo do homem, sua posição má diante de Deus. Deus é justo e não pode tolerar o pecado. O homem, por outro lado, é injusto por causa do pecado e merece a condenação eterna. Como, então, pode ser o homem justo diante de Deus? A solução para esse problema foi a vinda de Jesus ao mundo para viver e morrer no lugar do homem, de modo que, pela Sua justiça, os homens pudessem ser justificados, não por uma infusão de justiça, mas pela imputação da justiça de Cristo à conta deles. Nisso consiste a justificação, que é o coração do Evangelho. Sete verdades são apresentadas em relação à justificação: 1) Ela é baseada no sangue de Cristo e é a justiça Dele que nos é imputada como justiça; 2) Ela significa "declarar alguém como justo" e não "fazer alguém justo"; 3) Ela não tem graus ou gradações, mas é um ato único; 4) Ela é mais do que perdão; 5) Ela é tanto positiva (imputação de justiça) quanto negativa (perdão de pecados); 6) Ela é de uma vez por todas, não podendo ser perdida, nem repetida; 7) Ela é recebida pela fé. A apresentação da doutrina da justificação é breve, mas muito clara, didática, bíblica e ortodoxa.

No capítulo 4, a doutrina da regeneração é apresentada como a solução para o problema interno do homem, seu coração mal. Deus não apenas declara o homem justo externamente, Ele também opera uma mudança moral internamente, de modo que o homem possa obedecer à Lei de Deus voluntariamente e com prazer. A justificação e a regeneração, ainda que atos distintos, são inseparáveis. Todo aquele que foi justificado também é regenerado.

Nos capítulos seguintes, do 5 ao 13, nove representações bíblicas da regeneração são apresentadas, cada uma mostrando a regeneração de um aspecto diferente: 1) Uma nova criação; 2) Um novo homem; 3) Um novo coração; 4) Um novo nascimento; 5) Uma nova natureza; 6) Uma crucificação e ressurreição; e uma mudança de reinos, 7) Da carne ao Espírito; 8) Da terra ao Céu; 9) Do pecado à Justiça.

Nesses capítulos Charles Leiter trata a regeneração com uma profundidade que eu nunca tinha visto em lugar algum. Normalmente, quando este tema é apresentado, o foco sempre é a conseqüência da regeneração, como a mudança da vontade, o arrependimento e a fé, a nova vida de santidade que brota dela, etc. No entanto, eu nunca havia visto uma análise da própria natureza da regeneração, do que ela realmente consiste. Leiter faz isso, e o faz de maneira magistral e bíblica. Chamo a atenção para o fato de Leiter argumentar biblicamente que a velha natureza do cristão já foi crucificada e sepultada, e que agora o seu verdadeiro ser é a nova natureza. Ao contrário da opinião popular, o cristão não é um ser dualístico, com duas naturezas, a velha e a nova, que lutam entre si. A velha natureza já morreu e o pecado que ainda permanece no cristão não está no que ele realmente é, a nova natureza, mas no aspecto mais externo do seu ser, na carne ou corpo do pecado, que é o próprio corpo físico corruptível. A santidade, pois, consiste em reconhecer o que de fato somos como novas criaturas e mortificar os feitos do corpo. Essa posição de Leiter é defendida por David Martyn Lloyd-Jones em suas exposições de Romanos, do capítulo 6 ao 8, e também é encontrada em alguns puritanos do século XVII.

O livro se encerra com dois capítulos, 14 e 15, que continuam as representações da mudança de reinos, mas abarcando nessas representações tanto a justificação quanto a regeneração: 1) Da lei à Graça; e 2) De Adão a Cristo. Nesse último capítulo especialmente, a doutrina da união com Cristo é apresentada como a grande realidade que torna possível a justificação, a regeneração e todas as bênçãos espirituais que temos em Cristo. Um final digno de um livro desse naipe.

O livro contém quatro apêndices muito úteis: A) Um sumário da regeneração com vários versículos; B) Uma explicação de I João 3.4-9, onde o apóstolo diz que o cristão não pode pecar; C) Uma explicação de Romanos 7, principalmente do "eu" dos versículos 14 a 25, mostrando como ele não é um cristão, mas alguém que foi convencido do pecado pela Lei; D) Um sumário de todas as bênçãos espirituais que temos em Cristo.

Este é um livro excelente, muito claro, didático e bíblico, e certamente um dos melhores que já li em minha vida. Leitura obrigatória para todos aqueles que desejam um conhecimento mais profundo da justificação e, principalmente, da regeneração.